NOVOS TEMPOS, TEMPOS VELHOS...
Esta noite me pus a pensar sobre os grandiosos
Avanços da humanidade,
E percebi, não tanto a contragosto,
Que vivemos noutro tempo.
Diariamente vemos nas ruas, nas praças, na internet, na TV,
Os avanços científicos na pesquisa e uso de célula-tronco,
Ou sobre alguma sonda espacial que conseguira mais nítidas
E coloridas imagens do solo marciano,
Enquanto isso, ao mesmo tempo,
Nas Américas, Áfricas, Terceiros Mundos,
Ou noutros mundos,
Pessoas continuam a morrer de doenças
"Bárbaras" ou "medievais",
Ou por outro qualquer "castigo" divino.
Enquanto se celebram os fantásticos resultados obtidos
Nas questões éticas, cidadãs e de igualdade entre os gêneros,
Meninas seguem se mutilando,
Como produtos manufaturados,
Na busca de atender as exigências incessantes
Da moda, da auto-estima do mercado.
Enquanto se fala de recordes na produção agrícola,
Seres humanos "incluídos", ou não, no mercado de trabalho,
Permitem-se explorar,
Como mera força de trabalho em reprodução atrofiada,
Como sub-coisa, Fator de produção,
Submisso, escravo, subsumido,
Mas que ao invés da senzala e da parca ração como pagamento
(O uso de chicote não é negociável mas pode ser "prescrito"),
Recebe um sub-pagamento como forma de salário.
Percebo que de fato, vivemo num novo tempo,
mas ao que parece, um novo que muito lembra um velho,
Obviamente diferente,
Muito maior, mais débil, mais surdo, mais cego.
Viva a pós-modernidade
(Ou pré-modernidade?)!
Enfim, saúdem o novo tempo!
Saúdem o novo Velho!
Recebam os novos filhos
Desta neo-mediocridade!

W.J.G.F.
Escrito por WGJF às 10:10
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