O GOZO
O que gosto é do descompasso,
De sonoridade rouca,
Entre um verso branco rasgado
E uma rima
Obscura
E louca.
O que almejo é o desacerto
De um ritmo sereno
Qual organismo
Caótico
Paradoxo
Elaborado.
O que desejo é o gozo
Da interpenetração:
Entre um fator planejado,
Uma sonoridade polida,
Alguns efeitos do acaso,
Num devaneio raspado,
Do ventre Peludo
Desta dama pudica
Chamada razão.
E que aguce sentidos,
Sem tino ecoem,
Qual o orvalho da noite
Sobre solo encharcado,
Qual leitosa seiva
Do falo parida
E que escorre do ventre
Sem qualquer limite,
Como aos céus
Também não existem
Qualquer fronteira,
Só a amplidão...

... E a imensidão.
W.J.G.F.
Escrito por WGJF às 11:13
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