Da Angustia ao Nada, Repousa Tio Edinho. Agora não há mais nada Só a solidão de seu quarto, Escuro e apertado quarto, Onde Um quarto de sua vida se perdeu. Naquela pergunta que não se cala, Daquela resposta que não se fala De uma fuga da vida que a tempos Não se encontrava. Na ausência de perspectivas, De olhares familiares, De sorrisos sinceros, Do "Sentido" de vida Em sua vida de sentidos Marginalmente esquecidos, Que quando se encontravam, Só se encontravam perdidos Nas coisas "companheiras" : No alcool, na coca, no fumo, Até a morte. Do derradeiro suspiro Em sua coisificante miséria, Miséria de superpopulação Nada relativa, Deitado no escuro Com olhos que já Não fazem sentido, Com um corpo esfomeado aparentemente saciado, Aguardaste rijo por horas Sem reclamar No ultimo transporte, Tardio transporte, Te deixaste levar calmamente, Mortalmente sereno, Respousando no conforto do Nada, Só a lembraça de teus velhos olhos vivos Sorrindo, radiantemente sorrindo, faz-me lembrar que tudo Tudo podia ser diferente E que a Humanidade não precisa mais se desumanizar! Basta!!! As coisas não podem nos fazer Nisto. 
Escrito por WGJF às 13:18
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